domingo, 30 de junho de 2013

Artigo - Dificuldades Encontradas pelo Professor em sua Prática Docente



Dificuldades Encontradas pelo Professor em sua Prática Docente

Joeanne Neves Fraz

 
Introdução


Transformações marcadas pelo desenvolvimento tecnológico e o aprimoramento de novas maneiras de pensamento sobre o saber e sobre o processo pedagógico, têm refletido, principalmente, nas ações didáticas e tarefas do/no contexto escolar/educacional, o que tem se tornado ponto de insegurança entre professores e agentes escolares. Segundo Braga e Calazans (2001, p.46), “Novas formas da sociedade fazem surgir novos problemas, estimulam novos agentes e novas percepções sobre o papel dos participantes da aventura educacional”.
No mundo globalizado como o de hoje, faz-se necessário rever com urgência os conceitos que circulam na área educacional. Não se trata apenas de novas metodologias e linguagens adentrando nas relações pedagógicas para melhorar o que existe, mas faz-se necessário repensar todo o processo de construção do conhecimento, gerando mudanças e modificações nas formas de ensinar e aprender, o que gera dificuldades e incertezas na prática docente.
Diante deste quadro de mudanças e modificações culturais e sociais, e novas problematizações na trama pedagógica, esta reflexão tem como objetivos: analisar as dificuldades encontradas pelo professor em sua prática a partir de variáveis que interferem nas tarefas propostas em sala de aula; caracterizar as variantes: expectativa do professor quanto à inteligência do aluno, comunicação entre professor e alunos, interações entre os participantes da cena didática, habilidades cognitivas e afetivas; e, refletir sobre suas intervenções na prática docente.
Neste cenário, a comunicação passou a ser mais valorizada, pois é o meio pelo qual se disseminam múltiplas e um montante de informações, agregando valor aos indivíduos que conseguem transformá-las em conhecimento.
Assim, há necessidade de mais habilidades de relacionamento interpessoal, em aspectos como linguagem, comportamento, vivência multicultural e habilidade para manusear e aplicar os processos e técnicas pedagógicas de maneira adequada e contextualizada. Desta forma, torna-se pertinente uma reflexão que incida sobre a prática docente, no dia a dia das tarefas do professor em sala de aula.
A ação didática é, nesta perspectiva, uma atividade fundamentalmente social, porque contribui para a conscientização do sujeito em/de seu contexto de vivência. De acordo com Freitas (2004), esta
[...] compreendida como processo que integra organicamente a criticidade, a curiosidade e a criatividade, orienta-se no sentido do desenvolvimento da consciência democrática, do conhecimento libertador e da sensibilidade emancipatória, problematizando a identidade profissional do educador de tal modo que este possa perceber criticamente as situações-limite a que se encontra limitado e, para além delas, perceber-se como sujeito da criação do inédito-viável, no desenvolvimento da autoria de sua consciência crítica (p.227).

O professor, nesse contexto, deve ter em mente a necessidade de se colocar em uma postura de mediador do processo ensino-aprendizagem, levando em consideração que sua prática pedagógica em sala de aula tem papel fundamental no desenvolvimento intelectual de seu aluno, podendo ele ser o foco de crescimento ou de introspecção do mesmo quando da sua aplicação metodológica na condução da aprendizagem. Estas atitudes se revelam pertinentes para minimizar as dificuldades encontradas na prática docente.

DIFICULDADES ENCONTRADAS PELO PROFESSOR NA PRÁTICA DOCENTE

Atualmente, frente a uma contemporaneidade marcada por grandes desafios, apresentam-se aos professores dificuldades em sua prática, com o crescente avanço tecnológico e as rápidas transformações culturais e sociais se fazem presentes em suas tarefas na sala de aula. Vive-se em um momento de incertezas, poucas coisas são capazes de se manter perenes, estáveis (DEMO, 2000). Tal qual a descrição feita por Marx (Europa dos séculos XVIII e XIX), “Tudo que é sólido desmancha no ar, tudo que é sagrado é profano, e os homens finalmente são levados a enfrentar [...] as verdadeiras condições de suas vidas e suas relações com seus companheiros humanos” (MARX apud BERMAN, 1998, p.20).
Desta forma, entender a realidade significa partir dela, do que se tem e por isso precisamos também de uma aprendizagem que reveja o que se aprendeu e reconstrua com o que se apresenta no cotidiano de sala de aula.
Essa efemeridade exige dos professores também constantes mudanças em suas práticas pedagógicas e na seleção dos conteúdos a serem ensinados.  Os professores não são técnicos que executam instruções e propostas elaboradas por outros, cada vez mais se assume que o professor é um construtivista que toma decisões, gera conhecimentos, possui crenças e rotinas que influenciam sua atividade profissional (GARCIA, 1999). Nestes novos tempos, incertos e instáveis, é fundamental que o docente atue como facilitador da aprendizagem, pois diante de uma gama de informações acessíveis, não é ele mais a origem do conhecimento (DEMO, 2000).
Até porque, “Aprender não é – de modo nenhum – manejar certezas, mas trabalhar com inteligência as incertezas, porquanto, sendo função vital, tão vital que se confunde com a vida, não poderia fantasiar propostas contraditórias com a criatividade e com a fragilidade da vida” (DEMO, 2000, p. 11). Portanto, o docente precisa se capacitar e construir um ambiente propício para que o aprendizado se efetive e o aluno analise criticamente as informações, alcance sua autonomia. Para Gadotti (2000, p.9),
Nesse contexto, o educador é um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o sujeito da sua própria formação. Ele precisa construir conhecimento a partir do que faz e, para isso, também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz e apontar novos sentidos para o que fazer dos seus alunos.
Assim, em uma cotidianidade multicultural e de mudanças estruturais, as dificuldades do professor em relação a sua prática levam-no a ter responsabilidade frente aos novos tempos e a uma nova era que se impõe, que incide sobre o ato de preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família, no trabalho e na vida cultural e política. Tal tarefa requer que este seja um facilitador, não tornando os conhecimentos fáceis, mas sustentando uma aprendizagem crítica e criativa do aluno, referência do ensino e da aprendizagem (DEMO, 2000).


EXPECTATIVAS DO PROFESSOR QUANTO À INTELIGÊNCIA DO ALUNO

A expectativa do professor quanto à inteligência do aluno ajuda-o no planejamento e define o aproveitamento deste (bem como seu rendimento), pois esta expectativa faz com que o docente se empenhe para que o aluno aprenda e se motive para aprender a conhecer. Tendo esta postura, o professor minimiza as suas dificuldades. Neste sentido, processo de ensino e aprendizagem não é apenas intelectual, mas também sócio afetivo. E, acreditar na capacidade do aluno de aprender favorece o planejamento da aula e a elaboração das atividades (MASETTO, 2003).
Segundo Demo (2000), é fundamental aprender a conviver com os limites buscando transformá-los em desafios. A expectativa do professor derruba a barreira entre ele e o discente, e supera-se uma formação apenas voltada para o aspecto cognitivo. Diante da expectativa do professor “[...] o que se busca é que o aluno em seus cursos superiores esteja desenvolvendo competências e habilidades que se esperam de um profissional capaz e de um cidadão responsável pelo desenvolvimento de sua comunidade” (MASETTO, 2003, p. 20).
Nesta perspectiva, Gardner (1995) afirma que a inteligência humana ressalta a natureza multicultural de sua teoria. Segundo o teórico, as inteligências são linguagens que, em parte, sofrem a influência da cultura em que a pessoa nasceu. Para Revel (2009, p. 109), “[...] cada horizonte cultural deve ser analisado como um sistema coerente de símbolos, de valores, de afetos e de instrumentos, sistema no qual é necessário que ele seja compreendido [...]”, o que lhe dá importância na cena didática. Por isso, as inteligências são ferramentas para a aprendizagem, resolução de problemas e criatividade que todos os seres humanos podem usar.
Assim sendo, um professor competente, técnica e politicamente, é capaz de arquitetar a formação adequada, estabelecendo o ambiente do aprender a aprender, do saber pensar, do questionar criativamente. Espera-se que este fique atento aos múltiplos aspectos que interferem no trabalho docente.


COMUNICAÇÃO ENTRE PROFESSOR E ALUNO

Na prática docente a comunicação passou a ser considerada a forma de produção de conhecimentos e também dimensão das relações sociais que se estabelecem entre professores e alunos envolvidos nessa produção. Até porque, neste contexto de transformações,
O educacional se coloca, diretamente, como uma questão central no desenvolvimento das novas interações da comunicação social. A cada invenção tecnológica, a sociedade atribui aos processos comunicacionais, desenvolvidos em torno da invenção, uma expectativa educacional (BRAGA; CALAZANS, 2001, p. 11)
Assim, o discurso pedagógico deve privilegiar os processos de comunicação para transmitir/trabalhar os conteúdos.
A ação didática se exerce sempre numa relação de comunicação. Nesta perspectiva, a competência comunicativa contribui para a formação da consciência crítica, à medida que o sujeito autônomo desenvolve sua capacidade argumentativa. Por isso, quando o professor estimula de maneira adequada a sua classe, a boa comunicação é a resposta racional a este estímulo de ensino, que resulta no aprendizado. Neste sentido, para Libâneo,
O professor não apenas transmite uma informação ou faz perguntas, mas também ouve os alunos. Deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressar-se, a expor opiniões e dar respostas. O trabalho docente nunca é unidirecional. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor, às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos. Servem também para diagnosticar as causas que dão origem a essas dificuldades (1994, p.250).

Deste modo, ao utilizar falas diretas e indiretas, o docente acaba por assumir seu papel social na Educação e leva a compreensão das informações. Por meio da comunicação (diálogos, explicações, debates, etc.), o professor consegue reduzir as dúvidas e incertezas advindas das questões levantadas pelos alunos. Nesta, cabe ao professor gerir o processo interpessoal de comunicação com os alunos, buscando o posicionamento crítico destes. Esta fala do professor tem como condição de entendimento: clareza, precisão e expressividade (FREIRE, 2006).
Ao abrir-se para o diálogo, o professor estabelece novas bases para a relação pedagógica em sala de aula. É a abertura ao outro, em busca de respostas ao problematizar questões relevantes à formação é que se desenvolve o pensamento e a capacidade de agir. Assim,
A dialogicidade é cheia de curiosidade, de inquietação. [...] supõe maturidade, aventura do espírito, segurança ao perguntar, seriedade na resposta. No clima da dialogicidade, o sujeito que pergunta sabe a razão por que o faz. Não pergunta por puro perguntar ou para dar a impressão, a quem ouve, de que está vivo (FREIRE, 2001, p.80).
As mudanças sentidas com a introdução de novas tecnologias na prática educativa têm gerado modificações nas formas de comunicação e linguagem entre professores e alunos. Esta, segundo Patrícia Corsino*, “[...] constituída nos diálogos vivos das interações sociais, que inclui gestos, entoações, afetos e desafetos, ditos e não ditos [...] como sendo o que permite pensar o mundo, as ações e também a si própria, constituindo a consciência do sujeito” (FERNANDES, 2006/2012).
O que nos leva também a um repensar em conceitos canônicos como sala de aula, relação professor-aluno, transmissão de conhecimentos, práticas de ensino e o espaço de dialogicidade no/do processo de ensino e aprendizagem (na aula).  De tal maneira que “A comunicação está ao mesmo tempo ‘dentro’, como parte constitutiva necessária em qualquer atividade social; e ‘fora’ como espaço geral de interações sociais, que não depende das especificidades de uma só área” (BRAGA; CALAZANS, 2001, p. 35).
Metodologias, recursos didáticos bem como estratégias de ensino utilizadas na educação devem ser reestruturadas, o que por vezes gera incertezas e fragilidades. Deste modo, “[...] a adaptação deixa de ser algo passível para tornar-se uma obra de reconstrução permanente [...]” (DEMO, 2000, p. 52).

INTERAÇÃO ENTRE OS PARTICIPANTES DA CENA DIDÁTICA

A interação professor-aluno ultrapassa os limites profissionais, escolares e universitários, pois é uma relação que envolve sentimentos, deixa marcas para toda a vida em forma de aprendizado, de conhecimento. Assim
A interação professor-aluno, tanto individualmente quanto com o grupo, se destaca como fundamental no processo de aprendizado e se manifesta na atitude de mediação pedagógica por parte do professor, na atitude de parceria e co-responsabilidade pelo processo de aprendizagem entre aluno e professor, e na aceitação de uma relação entre adultos assumida por professor e aluno (MASETTO, 2003, p. 48).
Desta forma, a relação professor-aluno representa um esforço a mais na busca da praticidade, afetividade e eficiência no preparo do sujeito social/aluno para a vida, numa redefinição do processo ensino e aprendizagem. Sendo então a questão da interação pensada não somente relação entre professor e aluno, mas também no plano da relação aluno-aluno, numa dimensão coletiva mesmo.
O que se deve considerar é que o ato de ensinar e de aprender é uma constante troca, onde se torna imprescindível que o professor seja, acima de tudo, um educador que enfrente desafios e possa encarar as dificuldades em sua prática pedagógica com consciência e auxílio dos próprios alunos. Segundo Cunha (1998, p. 107),
[...] professores universitários envolvidos com a inovação na universidade têm uma concepção de conhecimento que envolve flexibilidade e movimento, entendem o conhecimento como construção, incentivam a dúvida, valorizam o erro e trabalham com base nele. A provisoriedade, a multiplicidade e o momento permeiam o cotidiano.
Compreendendo então, que o conhecimento se processa por meio de valores que embasam e justificam a aprendizagem. Desse modo, a reflexão sobre a importância e o papel do professor e do seu relacionamento com os educandos, ultrapassa o cotidiano de sala de aula. E as constantes mudanças sociais, culturais e tecnológicas, e o montante de informações a que todos têm acesso hoje trazem expectativas, receios e preocupações ao professor.
Nesta perspectiva, para Libâneo afirma que
[...] o ato pedagógico pode ser, então definido como uma atividade sistemática de interação entre seres sociais tanto no nível do intrapessoal como no nível de influência do meio, interação esta que se configura numa ação exercida sobre os sujeitos ou grupos de sujeitos visando provocar neles mudanças tão eficazes que os tornem elementos ativos desta própria ação exercida. Presume-se aí, a interligação de três elementos: um agente (alguém, um grupo, etc.), uma mensagem transmitida (conteúdos, métodos, habilidades) e um educando (aluno, grupo de alunos, uma geração) [...] (1994 , p.56).
A relação entre o professor e o aluno em sala de aula é uma das prioridades no sistema educacional. Um bom relacionamento interpessoal entre professores e alunos requer respeito, afeto, ambiente alegre e capacidade de ouvir e de falar. Nestes novos tempos, de acordo com Silva (1992), assumindo o compromisso com o dinamismo de sua prática, cabe ao docente assegurar ao seu aluno o direito de falar e, incentivando sua participação suscita seu interesse em aprender.
Perceber que o aluno, como sujeito social, ao deparar-se com conteúdos desconhecidos e com nível de complexidade elevado, não consegue assimilar conhecimentos, sem uma articulação com sua realidade de vida, sem a interação com seu mestre.

DAS HABILIDADES COGNITIVAS

Relacionadas ao aprender e dominar um conhecimento, as habilidades cognitivas envolvem a aquisição de um novo conhecimento, do desenvolvimento intelectual e de atitudes. Inclui reconhecimento de fatos específicos, procedimentos padrões e conceitos que estimulam o desenvolvimento intelectual constantemente.
Pelas habilidades cognitivas, os indivíduos se envolvem numa multiplicidade de saberes na escola/universidade e fora dela. Deste modo, ter uma habilidade cognitiva latente não significa estar apto a todas as situações a todo o tempo, depende muito de seu universo cultural. Uma vez que a habilidade cognitiva mostra que o indivíduo tem facilidade em lidar com um tipo de informação e para que se transforme em competência será necessário investimento em experiências de aprendizagem, em conhecimentos pertinentes e motivadores de seu domínio cognitivo.
Mesmo assim, é preciso enfatizar que o mercado de trabalho atual tem voltado sua atenção a indivíduos não apenas com habilidades cognitivas, mas também com habilidades afetivas. Segundo Piaget (1969, p. 24),
Não é tanto a aprendizagem cognitiva em si que provoca a formação e intensificação de interesses e atitudes, mas sim, o como essa aprendizagem ocorre, isto é, o processo mais do que o produto determinaria os comportamentos afetivos. Portanto, o tipo de experiência de aprendizagem, mais que o seu conteúdo, torna-se importante nesse sentido.
Assim, habilidades cognitivas e habilidades afetivas se desenvolvem paralelamente na construção do conhecimento.

DAS HABILIDADES AFETIVAS

Sentimentos e posturas são relacionados às habilidades afetivas. Estas envolvem categorias ligadas ao desenvolvimento da área emocional e afetiva, que incluem comportamento, atitude, responsabilidade, respeito, emoção e expressão de valores.
Para desenvolver habilidades afetivas, o docente precisa ter empatia e feeling para sentir sua classe, pois segundo Demo (2000, p. 37), “A aprendizagem cooperativa, as habilidades de comunicação e a aprendizagem de como viver em sociedade complexa com pessoas de necessidades e emoções similares e conflitantes deveriam receber tanta atenção como o desenvolvimento cognitivo”.
Na e para a prática docente, é importante compreendermos que as emoções e os sentimentos que compõem o homem são constituídos de um aspecto fundamental na vida psíquica do sujeito, visto que emoções e sentimentos estão presentes em todas as manifestações da vida humana, em suas atitudes, na sensibilidade do ser em relação aos conhecimentos (receptividade), na valorização destes, em sua imaginação e criatividade, em seu interesse em fatos e assuntos a ponto de fazer intervenções, dar respostas aos estímulos. Aprender (e ensinar) somente é possível com a intervenção do outro, que fala, debate e expressa seu ponto de vista, sua interpretação.
Por isso, de acordo com Silva (1992), no processo de ensino e aprendizagem faz-se necessário encorajar os alunos a demonstrarem todo seu sentimento, emoções e respeito pelas outras pessoas: solidariedade, amizade, admiração e companheirismo. Uma vez que pensar e aprender envolve reações de ordem afetiva e de empatia (Classificação de Bloom).

CONCLUSÃO

Busca-se, portanto, uma competência pedagógica, surgida a partir da reflexão sobre as dificuldades encontradas pelo professor em sua prática, variantes que influem no processo de ensino e aprendizagem. Uma reflexão que toma como cena a prática docente mesmo, que em um movimento de ação, análise e reflexão, propõe-se a tratar da dicotomia teoria e prática. Estas juntas ganham novos significados, novas dimensões, em que o conhecimento se faz em uma relação de interação, comunicação e afetividade. Nesta, as metodologias são mais dinâmicas, mutáveis e articuladas às necessidades sociais. Por isso, “Há necessidade de a universidade sair de si mesma, arejar-se com o ar da sociedade em mudança e das necessidades da sociedade, e então voltar para discutir com seus especialistas as mudanças curriculares exigidas e compatíveis com seus princípios educacionais” (MASETTO, 2003, p. 15).
Nesta cena, os sistemas educacionais no mundo atual têm como meta principal contribuir para que os estudantes possam ser cidadãos ativos, solidários, críticos e democratas. Desta forma, reestrutura-se a interação entre professor e alunos, deslocando o centro do processo do docente para o discente. Ao primeiro cabe o papel de facilitar e criar desafios para estimular os alunos a investigar, discernir, interpretar e responder. Instâncias operacionais que possibilitam viabilizar o aprender a fazer (proposta de Bloom). Neste sentido, o ensino e a aprendizagem que ocorrem nas salas de aula representam uma das maneiras de construir significados, reforçar e formar interesses sociais, formas de poder, de experiência, sempre com um significado cultural e político.
Por fim, transpondo suas dificuldades na prática, o professor deve dar suporte ao aluno, com o intuito de levá-lo a superar os desafios e obstáculos, descobrindo e potencializando suas habilidades, desenvolvendo novas e possibilitando a reflexão crítica. Por isso, utilizando-se de mecanismo de comunicação adequados, desenvolvendo habilidades afetivas e cognitivas, técnicas e políticas para que com isso leve o aluno a atender as expectativas de aprendizado e conquistar a autonomia para pensar e criar.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BRAGA, José L.; CALAZANS, Maria Regina Z.. Comunicação e educação: questões delicadas na interface. São Paulo: Hacker, 2001.
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FERNANDES, Adriana Hoffmann. Conversando sobre a linguagem na escola e construindo reflexões. Disponível em: http://www.estacio.br/graduacao/pedagogia/literarte/literarte010/entrevista.asp . Acesso em: 06 mar. 2006/15 fev. 2012.
FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação?. São Paulo: Paz e Terra, 2006.
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FREITAS, Ana Lúcia de Souza. Pedagogia da conscientização: um legado de Paulo Freire à formação de professores. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2004.
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LIBÂNEO, José. C.. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
MASETTO, Marcos. T.. Competências pedagógicas do professor universitário. São Paulo: Summus, 2003.
PIAGET, Jean. A construção do real na criança. Rio de Janeiro: Zahar, 1969.
REVEL, Jacques. Proposições: ensaios de história e historiografia. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2009.
SILVA, Ezequiel Theodoro da. Mal-formado ou mal-informado. In:_____. Os (des)caminhos da escola: traumatismos educacionais. 4ª ed. Cortez: São Paulo, 1992. p. 23-27.

NOTA
* Patrícia Corsino, Doutora em Educação pela PUC-Rio, professora da UFRJ e colaboradora do Curso de Especialização em Educação Infantil da PUC-Rio.













Um comentário:

  1. Valeu pela contribuição professora!
    Sinta-se à vontade para continuar.

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