Iridologia como método pré-diagnóstico
David Maurício Rodrigues
INTRODUÇÃO
As formas de se diagnosticar
doenças na medicina ocidental têm passado por influências históricas ao longo
do tempo. Na Idade Média, por exemplo, Galeno (122 a 199 D.C.), anatomista,
fisiólogo, terapeuta e um dos médicos mais influentes na história da medicina
ocidental trouxe importantes contribuições na concepção
diagnóstico-terapêutica, as quais perduraram por quase toda a Idade Média.
Nessa concepção, as bases do diagnóstico incluiam o conhecimento do estado do
indivíduo antes de adquirir a doença, seu temperamento, o tipo e a proporção da
alimentação, o estilo de vida e ainda as condições ambientais e a época do ano
em que a pessoa se encontrava (BARROS, 2002).
No século XVII René
Descartes, renomado filósofo e cientista francês considerado por sua obra, um
dos responsáveis pela revolução científica moderna e pela combinação entre
racionalidade e experiência passa a negar a visão antiga e medieval (ZASLAVSKY,
2009).
Descartes se instala na
Holanda entre 1629 a 1649 e se interessa pelo estudo da anatomia e da
fisiologia com o objetivo de construir uma medicina diferente da praticada em
sua época, que tinha bases em Hipócrates, Aristóteles e Galeno. Surge então o
modelo cartesiano na medicina, que passa a utilizar como critério de acesso ao
paciente a “lógica maquínica”, ou seja, nessa perspectiva, o ser humano é
tratado pelo médico como se fosse uma máquina. Dessa forma, o médico constrói o
diagnóstico da doença a partir de informações das partes para chegar à
compreensão do todo (MONTARROYOS, 2009).
De acordo com Liboni; Siqueira
(2009), atualmente vigora na medicina um modelo fielmente herdado da ciência
cartesiana, a qual tem a necessidade de dividir para conhecer. Seguindo esse
sistema, o médico desde o início de sua graduação aprende por meio de um método
analítico, em que divide o objeto de estudo em várias partes. Assim, o
conhecimento das partes é exaustivamente considerado até que se reconstrua o
todo.
Apesar de o sistema
cartesiano estar entronizado nas práticas diagnósticas atualmente,
paralelamente veicula a chamada medicina holística ou integrativa. O médico
holístico parte da observação e sensibilização para diagnosticar a doença,
vista como um desequilíbrio geral e para tratá-la trabalha com ações no corpo
com homeopatia, fitoterapia, acupuntura, psicoterapia, energéticos e diferentes
formas de reequilíbrio vital. Nesse paradigma adota-se a totalidade corpo e
espírito e extrapola-se a dimensão bioquímica e exames exaustivos tão comuns na
medicina ocidental (MATTOS, 2012).
A esse respeito, a
filosofia de Platão corrobora a linha de ação da medicina holística, já que o
filósofo considerava a saúde humana de forma universal e não compartimentada.
Para ele, a saúde do corpo era resultado de sua constituição e natureza, sendo
que as bases da saúde contemplam a alma e corpo e nunca componentes separados
(VASCONCELOS; FREITAS, 2012).
De acordo com Fonseca et
al. (2006) a medicina holística nos remete a uma redescoberta do passado, longe
de ser uma abordagem inovadora.
Dentre as práticas
vinculadas à medicina holística, pode-se destacar a iridologia ou a
irisdiagnose. A iridologia “é a ciência da leitura da condição do tecido por
meio da íris do olho. É possível, mediante esta ciência, adquirir um insight
do grau ou dimensão daquilo que ocorre no organismo” (KHALSA, 2009, p. 13).
De acordo com Batello
(2009), a iridologia não deve ser vista como um meio de se diagnosticar, mas
não se pode negar que ela seja “o melhor método propedêutico” existente para
facilitar e ajudar na elaboração do diagnóstico. Desse modo, em face da
dificuldade que os médicos enfrentam para proceder a um diagnóstico, em
decorrência de diversos fatores e ambientes a que os organismos estão expostos,
a iridologia apresenta-se como um agente facilitador para se chegar a uma
avaliação do quadro de saúde de um indivíduo (BATELLO, 2009).
Com a utilização da técnica
iridológica revela-se a existência de inflamações, seus locais no corpo e a
gravidade de tais inflamações. De maneira geral, a iridologia revela “a
constituição física do corpo, debilidades inerentes e a interdependência entre
todas as suas partes” (p. 13). A íris é uma extensão do cérebro, concectada a
todos os órgãos e tecidos do corpo e torna-se uma espécie de tela de televisão
em miniatura que revela a condição das áreas mais remotas do organismo (KHALSA,
2009).
Salles (2006) argumenta que
a proposta da iridologia ou irisdiagnose é a detecção da predisposição do
indivíduo a determinadas patologias, auxiliando na identificação precoce de
grupos de riscos.
Valverde; Azevedo (1994),
afirmam que a iridologia não pretende diagnosticar no sentido usual do termo.
Não indica, por exemplo, se uma pessoa está com pneumonia causada por
pneumococos ou com diabetes, mas pode fornecer uma informação geral do estado
de toxidade e de circulação, sugerindo quais órgãos estão mais afetados e em
que local a doença poderá se manifestar.
Nas palavras de Johnson
(1992) o “o olho é o meio através do qual vemos toda a vida à nossa volta e um
dos instrumentos através do qual podemos conhecer a nossa vida interior”
(p.18). As cores, formas e padrões existentes nos olhos são capazes de revelar
uma verdade única, sendo que cada linha existente no olho tem sua razão de ser
(JOHNSON, 1992).
Dessa forma este trabalho
pretende apresentar a técnica da iridologia como forma de auxiliar e
complementar o diagnóstico de forma positiva na identificação e possível
prevenção de patologias diversas, considerando que se trata de uma ferramenta a
mais na identificação de doenças, atuando como uma medicina preventiva.
MEDICINA CARTESIANA
DEFINIÇÃO
De acordo
com Montarroyos (2009) a lógica cartesiana, fundamentada no método cartesiano, criado por
René Descartes, utiliza como critério de acesso
ao paciente a “intuição maquínica”. Nessa perspectiva, o ser humano é tratado
pelo médico, por analogia, como se fosse uma máquina.
Parte-se então, de
realidades conhecidas e de fácil compreensão para explicar o funcionamento do
organismo humano. Descartes relacionava, por exemplo, o corpo à máquina,
comparando nervos a tubos de máquinas, tendões e músculos a engrenagens que
auxiliam o movimento.
De acordo
com Koifman (2001) desde que o método cartesiano passou a dominar o pensamento
científico, todas as coisas se converteram em um sistema mecânico, constituídas
de objetos separados e cada vez mais reduzidas.
Dessa
forma, o médico desenvolve suas atividades de forma metódica e utilizando
sempre a intuição e a dedução das ideias. Assim, constrói o diagnóstico da
doença a partir de informações do elementar com o objetivo de alcançar sempre
uma compreensão do complexo. Começa-se, então, do conhecimento relativo para
posteriormente chegar-se ao universal (MONTARROYOS, 2009).
Para
Koifman (2001), essa concepção mecanicista do organismo humano traduz-se em uma
abordagem técnica da saúde, reduzindo a doença a um defeito mecânico de partes
do corpo que deve ser consertado pelo médico por meio de tecnologias
sofisticadas.
Segundo
Koifman (2001) a influência do paradigma cartesiano na medicina teve como
resultado um modo de abordagem, que trata o corpo humano como uma máquina
complexa chamada de “modelo biomédico”, tido como o alicerce da medicina
científica moderna. Segundo a autora essa máquina possui partes que se
inter-relacionam e obedecem a leis perfeitas. Essa máquina, porém, é imperfeita
e sempre terá problemas que deverão ser constatados somente por especilalistas.
Segundo essa visão, as doenças são resultado de processos degenerativos do
corpo, de agentes físicos, químicos ou biológicos que o invadem ou de falhas da
mecânica do organismo. Assim, as doenças só podem ser detectadas por métodos
científicos, fazendo com que o profissional se afaste cada vez mais do
paciente, voltando-se para os resultados de exames.
HISTÓRICO
A maior
parte da obra cartesiana foi composta na Holanda, país onde Descartes entrou em
contato com a medicina. O país pode ser considerado o berço do cartesianismo,
onde médicos se apropriaram das ideias cartesianas para construir a base do
conhecimento
(DONATELLI, 2012).
Ao se instalar na Holanda
(1629 a 1649) Descartes se interessou pelo estudo da anatomia e da fisiologia
com o objetivo de construir uma medicina diferente da praticada em sua época,
que tinha bases em Hipócrates, Aristóteles e Galeno.
Descartes então, passou a
negar a tradição aristotélica, que considerava os três pilares da alma:
vegetativo, sensitivo e intelectivo como responsáveis pela ordenação e
atividade da vida e pelo funcionamento do organismo. Assim, a dedução passa a
não ter importância no diagnóstico e cede lugar à experiência, observação e
construção de hipóteses (DONATELLI, 2012).
Ao considerar a concepção
cartesiana de corpo Descartes distanciou-se da tradição mantida até então na
medicina. No novo paradigma, o procedimento pautado na dedução das leis da
natureza não mais seria enfatizado e passou-se a enfatizar a experiência. As
causas surgem a partir da observação e a medicina passa a servir-se da
dissecação de corpos animais (DONATELLI, 2012).
Para Montarroyos (2009), a
partir de meados do século XX, (1950) verifica-se uma luta dentro do próprio
paradigma cartesiano envolvendo duas vias de acesso ao problema do paciente: o
Humanismo e o Tecnologicismo.
Na medicina Cartesiana
Humanista existe uma relação intuitiva do médico em relação ao problema do
paciente. O médico realiza hipóteses com base no entendimento maquínico do
paciente, o que ocorre por meio do contato humano entre estes realizado no
consultório. Assim, ocorre a localização e abordagem do problema físico do
paciente com base em evidências obtidas por meio da analogia maquínica em que o
toque, a altura da voz, a postura corporal do paciente, entre outros servem de
referenciais par[i]a o médico
(MONTARROYOS, 2009).
Nesse processo, o médico
separa o universal do particular (relativo) aumentando as informações por meio
da anamnese. Dessa forma, é conferida maior importância ao diagnóstico
maquínico do que ao paciente. Por outro lado, o modelo Tecnológico na medicina cartesiana
defende o uso da racionalidade instrumental das máquinas para acessar o
problema físico do paciente. Nesse sentido, não se usa mais a intuição, mas
dados provenientes de exames especializados detalhados do corpo a partir do uso
da tecnologia digital (MONTARROYOS, 2009).
Montarroyos descreve as
diferenças entre os modelos Tecnológico e Humanista na medicina cartesiana
ressaltando que no modelo tecnologico a experiência entre medico e paciente e
substituída por instrumentos laboratoriais. Por outro lado, os humanistas
cartesianos valorizam a investigação com base no contato pessoal com o paciente
para se chegar às causas e tratar a doença (MONTARROYOS,
2009).
Para o
autor, na década .de 1980 existe o conflito na comunidade médica cartesiana
entre a sensibilidade e a tecnologicidade, sendo que a primeira defende a
demora do atendimento ao paciente e a sensibilidade e intuição do médico e a
segunda prima pela máxima objetividade e tecnicidade, sendo que ambas as visões
decorrem da visão maquínica do corpo, em que a doença é a síntese de problemas
descobertos pelo estudo das partes.
A partir
de 1980 surge na Inglaterra a Medicina baseada em evidências, que refuta o
cartesianismo anterior (clássico). Nesse novo modelo, a produção do saber e a
relação médico-paciente é dominada pela tecnologia (MONTARROYOS, 2009).
Segundo Koifman (2001) a
anatomia proporcionou uma mudança na maneira de conceber a máquina humana. A
partir daí a prática médica passou a ter como centro, não mais a vida, mas a
máquina humana (forma humana). Na prática clínica, o corpo humano passou a ser
visto como sede de doenças e as doenças como entidades patológicas.
A partir do século XIX, a
anatomia clínica tornava possível a aprendizagem das doenças por meio de corpos
mortos ao invés de corpos vivos ou mesmo doentes. “A saúde passou a ser vista
como ausência de doença, sendo que a cura significa a eliminação dos sintomas”
(p. ) Essa visão de doença remonta a cerca de três séculos, sendo que o
médico cada vez mais se afastou do doente e apegou-se a discursos
teóricos (KOIFMAN, 2001).
A MEDICINA HOJE
De acordo com Liboni;
Siqueira (2009), atualmente vigora na medicina um modelo fielmente herdado da
ciência cartesiana, a qual tem a necessidade de dividir para conhecer.
Esse modelo foi inaugurado
no século passado por Abraham Flexner, autor cujo relatório trouxe mudanças no
sistema de ensino médico norte-americano e entronizou o modelo cartesiano como
base no ensino da medicina.
Seguindo esse sistema, o
médico desde o início de sua graduação aprende por meio de um método analítico,
em que divide o objeto de estudo em várias partes. Assim, o conhecimento das
partes é exaustivamente considerado até que se reconstrua o todo. Porém, nem
sempre essa união das partes ocorre, dada a dificuldade de se caminhar entre os
diagnósticos etiológico, anatômico e sindrômico tendo como guia somente o
raciocínio clínico.
A medicina praticada
atualmente tem como característica a separação entre corpo e mente e o
princípio geral de que é necessário dividir o ser humano em partes para melhor
conhecê-lo, ou seja, conhecendo as partes, conhece-se o todo.
Liboni; Siqueira (2009)
explicam que os profissionais passaram a se aprofundar no conhecimento das
partes e se esqueceram do todo. Outra alteração
ocorrida na medicina hoje é na relação médico-paciente. Até meados do século
passado um médico cuidava de um paciente, entretanto, com a proliferação das
especialidades atualmente existem inúmeros médicos para cuidarem de apenas um
paciente.
Sobre a
relação médico-paciente, Koifman (2001) relata que na medicina atual o
profissional valoriza mais seu desempenho técnico do que as queixas dos
pacientes, cuja liberdade de se expressar livremente geralmente sofre
limitações. Nesse sentido, a formação médica distancia cada vez mais o
profissional do respeito ao desejo do paciente, levando-o a cometer erros ao se
considerar “dono do saber” e não ouvir a opinião do “dono do corpo”.
Há
necessidade, portanto, de médicos generalistas, que conheçam seu paciente como
um todo, ou seja, que cuide do indivíduo doente e não da doença do indivíduo.
De acordo
com os autores, há necessidade de se abandonar o modelo cartesiano e reconhecer
o ser humano como sum sistema complexo que tem relação com o meio ambiente e com
outros seres humanos. Nesse sentido, torna-se desnecessário descrever todos os
sistemas e órgãos se não se pode integrar e organizá-los. A medicina, que na
sua origem partia do relacionamento intersubjetivo, atualmente está presa a
variáveis bioquímicas. Os médicos subestimam as manifestações de subjetividade
dos pacientes e a leitura de dados fornecidos por equipamentos norteiam a
rotina dos profissionais.
Nesse
modelo de medicina, o paciente permanece o tempo todo quieto e cheio de dúvidas
sobre seu estado de saúde, não havendo espaço para a sua participação como
sujeito (LIBONI; SIQUEIRA, 2009).
DIAGNÓSTICO COMPLEMENTAR
Segundo
Bontempo (1994) pode-se dizer que o diagnóstico é a parte mais importante da
Medicina, já que o tratamento a ser aplicado para determinada enfermidade vai
depender dele. Para o autor, o diagnóstico torna possível ao médico o
conhecimento da situação e da condição do organismo para posterior conduta
terapêutica.
De acordo
com Bontempo (1994) desde a Antiguidade os métodos de diagnóstico utilizados
têm sido praticamente os mesmos, sendo modificados com o advento da medicina
moderna, que deu origem a novas formas de diagnosticar.
O autor revela
que o diagnóstico está diretamente relacionado à filosofia médica que se adota.
Dessa forma, para a medicina antiga e natural ou holística, valorizam-se as
condições do organismo e o doente, enquanto que na medicina tecnológica atual o
mais importante é o conhecimento da doença. Segundo o autor, a medicina
holística não se opõe ao uso das tecnologias modernas de diagnóstico, como o
raio X, a tomografia, os exames laboratoriais, entre outros, contudo,
utiliza-se desses métodos quando realmente necessários em situações
emergenciais.
A MEDICINA HOLÍSTICA,
INTEGRATIVA OU COMPLEMENTAR COMO MÉTODO DE DIAGNÓSTICO
Apesar de o sistema
cartesiano estar entronizado nas práticas diagnósticas atualmente,
paralelamente veicula a chamada medicina holística, integrativa ou
complementar. O médico holístico parte da observação e sensibilização para
diagnosticar a doença, vista como um desequilíbrio geral e para tratá-la
trabalha com ações no corpo com homeopatia, fitoterapia, acupuntura,
psicoterapia, energéticos e diferentes formas de reequilíbrio vital. Nesse
paradigma adota-se a totalidade corpo e espírito e extrapola-se a dimensão
bioquímica e exames exaustivos tão comuns na medicina ocidental (MATTOS, 2012).
A esse respeito, a
filosofia de Platão corrobora a linha de ação da medicina holística, já que o
filósofo considerava a saúde humana de forma universal e não compartimentada.
Para ele, a saúde do corpo era resultado de sua constituição e natureza, sendo
que as bases da saúde contemplam a alma e corpo e nunca componentes separados
(VASCONCELOS; FREITAS, 2012).
De acordo com Fonseca et.
al. (2006) a medicina holística nos remete a uma redescoberta do passado, longe
de ser uma abordagem inovadora.
Para Silva et al (2011),
essa nova abordagem, também chamada de Medicina Alternativa Complementar tem
sido estudada e praticada em todo o mundo. De acordo com os autores, apesar de
ainda existirem preconceitos relacionados a essas práticas, o que tem afastado
muitos profissionais de realizarem terapias alternativas, um número cada vez
maior de médicos tem recomendado a seus pacientes a utilização dessa medicina.
É possível verificar ações
que unem técnicas da medicina tradicional e da complementar em locais que se
estendem desde os Estados Unidos até aos Emirados Árabes. A OMS (Organização
Mundial da Saúde) tem disponibilizado o por meio de site o acesso a alguns
centros de pesquisa e atendimento conjunto entre as técnicas (SILVA et al,
2011).
Dados revelam que existe
uma demanda crescente por profissionais da medicina complementar, holística.
Nos EUA, por exemplo, o número de consultas com “Terapeutas Holísticos” já
supera em 30% as realizadas com os médicos tradicionais. Ademais, atualmente a
disputa pelo mercado tem feito com que outras profissões passem a incorporar
essas práticas holísticas, tentando monopolizá-las como exclusividade sua
(VIEIRA FILHO, 2004).
No Brasil, os estados do
Amapá e Rio de Janeiro já estão aos poucos implantando o uso das Terapias
Naturais. No Amapá, desde 2007, com a Lei Estadual n. 1069, de 21 de março, já
se pratica no CRTN – Centro de Referência em Tratamento Natural do SUS, por
meio de atendimentos e serviços ambulatoriais. No Rio de Janeiro, desde 2009, a
Lei n. 5471, de 10 de junho, criou o Programa de Terapia Natural (SILVA et al,
2011).
De acordo com Silva et al
(2011), a Lei Municipal de São Paulo, n. 13717, de 08 de janeiro de 2004,
define como Terapias Naturais todas as práticas que promovem saúde e prevenção
de doenças a partir da utilização de recursos naturais. Podem-se destacar uma
série de terapias que se incluem nessa categoria, tais como: massoterapia,
fitoterapia, acupuntura, terapia floral, geoterapia e a iridologia, entre
outras.
Varella (2005) ao discorrer
sobre o profissional que pratica as terapias naturais (naturólogo), apresenta
seu campo de atuação descrevendo-o como um profissional que trabalha com a
recuperação da saúde física, emocional, psíquica, ambiental, cultural e social,
possuindo uma visão integrada e global do ser humano. Segundo o autor, esse
profissional identifica problemas de saúde primários e utiliza-se de recursos
naturais por meio de técnicas e terapias, de acordo com cada situação de saúde.
De acordo com Bontempo
(1994), a medicina natural integral e a medicina holística utilizam os chamados
“microssistemas holísticos” ou áreas do corpo humano em seu intuito de conhecer
o doente e seu organismo. Esses microssistemas representam o conjunto geral do
corpo e das suas funções mais importantes, como é o caso de alguns métodos como
a Iridologia, que tem por base o estudo da íris, o diagnóstico auricular, que
utiliza o pavilhão auricular, o Do-in e a Reflexologia, por meio da planta dos
pés, a Fisiognomia, por meio dos sinais da face e da forma do corpo, a
Bioenergética, a pulsologia acupuntural , a ayurvédica entre outros.
Bontempo (1994) revela que
o aspecto da língua e das unhas, a composição química dos fios de cabelo também
são meios utilizados pela medicina holística, como meio de se chegar ao conhecimento
do organismo.
Paralelamente a esses
métodos, também procura-se conhecer outros aspectos do doente fazendo-se uma
investigação sobre seus humores, secreções, sono, apetite, sexualidade,
memória, aspecto e odor das fezes, da urina e do fluxo menstrual, do hálito, da
qualidade do suor. Esses sinais, apesar de serem negligenciados atualmente pela
medicina tradicional, são considerados para a medicina holística como
indicadores indispensáveis da condição de saúde do paciente. Procura-se
paralelamente, ensinar a paciente o conhecimento do seu próprio organismo, por
meio do autodiagnostico (BONTEMPO, 1994).
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