Dificuldades Encontradas pelo Professor em sua Prática Docente
Joeanne Neves Fraz
Introdução
Transformações
marcadas pelo desenvolvimento tecnológico e o aprimoramento de novas maneiras
de pensamento sobre o saber e sobre o processo pedagógico, têm refletido,
principalmente, nas ações didáticas e tarefas do/no contexto escolar/educacional,
o que tem se tornado ponto de insegurança entre professores e agentes
escolares. Segundo Braga e Calazans (2001, p.46), “Novas formas da sociedade
fazem surgir novos problemas, estimulam novos agentes e novas percepções sobre
o papel dos participantes da aventura educacional”.
No mundo
globalizado como o de hoje, faz-se necessário rever com urgência os conceitos
que circulam na área educacional. Não se trata apenas de novas metodologias e
linguagens adentrando nas relações pedagógicas para melhorar o que existe, mas
faz-se necessário repensar todo o processo de construção do conhecimento, gerando
mudanças e modificações nas formas de ensinar e aprender, o que gera
dificuldades e incertezas na prática docente.
Diante deste
quadro de mudanças e modificações culturais e sociais, e novas problematizações
na trama pedagógica, esta reflexão tem como objetivos: analisar as dificuldades
encontradas pelo professor em sua prática a partir de variáveis que interferem
nas tarefas propostas em sala de aula; caracterizar as variantes: expectativa
do professor quanto à inteligência do aluno, comunicação entre professor e
alunos, interações entre os participantes da cena didática, habilidades
cognitivas e afetivas; e, refletir sobre suas intervenções na prática docente.
Neste
cenário, a comunicação passou a ser mais valorizada, pois é o meio pelo qual se
disseminam múltiplas e um montante de informações, agregando valor aos
indivíduos que conseguem transformá-las em conhecimento.
Assim,
há necessidade de mais habilidades de relacionamento interpessoal, em aspectos
como linguagem, comportamento, vivência multicultural e habilidade para
manusear e aplicar os processos e técnicas pedagógicas de maneira adequada e
contextualizada. Desta forma, torna-se pertinente uma reflexão que incida sobre
a prática docente, no dia a dia das tarefas do professor em sala de aula.
A ação didática
é, nesta perspectiva, uma atividade fundamentalmente social, porque contribui
para a conscientização do sujeito em/de seu contexto de vivência. De acordo com
Freitas (2004), esta
[...]
compreendida como processo que integra organicamente a criticidade, a
curiosidade e a criatividade, orienta-se no sentido do desenvolvimento da
consciência democrática, do conhecimento libertador e da sensibilidade
emancipatória, problematizando a identidade profissional do educador de tal
modo que este possa perceber criticamente as situações-limite a que se encontra limitado e, para além delas,
perceber-se como sujeito da criação do inédito-viável,
no desenvolvimento da autoria de sua consciência crítica (p.227).
O professor,
nesse contexto, deve ter em mente a necessidade de se colocar em uma postura de
mediador do processo ensino-aprendizagem, levando em consideração que sua
prática pedagógica em sala de aula tem papel fundamental no desenvolvimento
intelectual de seu aluno, podendo ele ser o foco de crescimento ou de
introspecção do mesmo quando da sua aplicação metodológica na condução da
aprendizagem. Estas atitudes se revelam pertinentes para minimizar as
dificuldades encontradas na prática docente.
DIFICULDADES
ENCONTRADAS PELO PROFESSOR NA PRÁTICA DOCENTE
Atualmente,
frente a uma contemporaneidade marcada por grandes desafios, apresentam-se aos
professores dificuldades em sua prática, com o crescente avanço tecnológico e
as rápidas transformações culturais e sociais se fazem presentes em suas tarefas
na sala de aula. Vive-se em um momento de incertezas, poucas coisas são capazes
de se manter perenes, estáveis (DEMO, 2000). Tal qual a descrição feita por
Marx (Europa dos séculos XVIII e XIX), “Tudo
que é sólido desmancha no ar,
tudo que é sagrado é profano, e os homens finalmente são levados a enfrentar
[...] as verdadeiras condições de suas
vidas e suas relações com seus companheiros humanos” (MARX apud BERMAN,
1998, p.20).
Desta forma,
entender a realidade significa partir dela, do que se tem e por isso precisamos
também de uma aprendizagem que reveja o que se aprendeu e reconstrua com o que
se apresenta no cotidiano de sala de aula.
Essa efemeridade
exige dos professores também constantes mudanças em suas práticas pedagógicas e
na seleção dos conteúdos a serem ensinados.
Os professores não são técnicos que executam instruções e propostas
elaboradas por outros, cada vez mais se assume que o professor é um construtivista que toma decisões, gera
conhecimentos, possui crenças e rotinas que influenciam sua atividade
profissional (GARCIA, 1999). Nestes novos tempos, incertos e instáveis, é
fundamental que o docente atue como facilitador da aprendizagem, pois diante de
uma gama de informações acessíveis, não é ele mais a origem do conhecimento
(DEMO, 2000).
Até
porque, “Aprender não é – de modo nenhum – manejar certezas, mas trabalhar com
inteligência as incertezas, porquanto, sendo função vital, tão vital que se
confunde com a vida, não poderia fantasiar propostas contraditórias com a
criatividade e com a fragilidade da vida” (DEMO, 2000, p. 11). Portanto, o
docente precisa se capacitar e construir um ambiente propício para que o
aprendizado se efetive e o aluno analise criticamente as informações, alcance
sua autonomia. Para Gadotti (2000, p.9),
Nesse
contexto, o educador é um mediador do conhecimento, diante do aluno que é o
sujeito da sua própria formação. Ele precisa construir conhecimento a partir do
que faz e, para isso, também precisa ser curioso, buscar sentido para o que faz
e apontar novos sentidos para o que fazer dos seus alunos.
Assim, em uma
cotidianidade multicultural e de mudanças estruturais, as dificuldades do
professor em relação a sua prática levam-no a ter responsabilidade frente aos
novos tempos e a uma nova era que se impõe, que incide sobre o ato de preparar
os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família, no
trabalho e na vida cultural e política. Tal tarefa
requer que este seja um facilitador, não tornando os conhecimentos fáceis, mas
sustentando uma aprendizagem crítica e criativa do aluno, referência do ensino
e da aprendizagem (DEMO, 2000).
EXPECTATIVAS
DO PROFESSOR QUANTO À INTELIGÊNCIA DO ALUNO
A
expectativa do professor quanto à inteligência do aluno ajuda-o no planejamento
e define o aproveitamento deste (bem como seu rendimento), pois esta
expectativa faz com que o docente se empenhe para que o aluno aprenda e se
motive para aprender a conhecer.
Tendo esta postura, o professor minimiza as suas dificuldades. Neste sentido,
processo de ensino e aprendizagem não é apenas intelectual, mas também sócio
afetivo. E, acreditar na capacidade do aluno de aprender favorece o
planejamento da aula e a elaboração das atividades (MASETTO, 2003).
Segundo
Demo (2000), é fundamental aprender a conviver com os limites buscando
transformá-los em desafios. A expectativa do professor derruba a barreira entre
ele e o discente, e supera-se uma formação apenas voltada para o aspecto
cognitivo. Diante da expectativa do professor “[...] o que se busca é que o
aluno em seus cursos superiores esteja desenvolvendo competências e habilidades
que se esperam de um profissional capaz e de um cidadão responsável pelo
desenvolvimento de sua comunidade” (MASETTO, 2003, p. 20).
Nesta
perspectiva, Gardner (1995) afirma que a inteligência humana ressalta a
natureza multicultural de sua teoria. Segundo o teórico, as inteligências são
linguagens que, em parte, sofrem a influência da cultura em que a pessoa
nasceu. Para Revel (2009, p. 109), “[...] cada horizonte cultural deve ser
analisado como um sistema coerente de símbolos, de valores, de afetos e de
instrumentos, sistema no qual é necessário que ele seja compreendido [...]”, o
que lhe dá importância na cena didática. Por isso, as inteligências são
ferramentas para a aprendizagem, resolução de problemas e criatividade que
todos os seres humanos podem usar.
Assim
sendo, um professor competente, técnica e politicamente, é capaz de arquitetar
a formação adequada, estabelecendo o ambiente do aprender a aprender, do saber
pensar, do questionar criativamente. Espera-se que este fique atento aos
múltiplos aspectos que interferem no trabalho docente.
COMUNICAÇÃO
ENTRE PROFESSOR E ALUNO
Na prática
docente a comunicação passou a ser considerada a forma de produção de
conhecimentos e também dimensão das relações sociais que se estabelecem entre
professores e alunos envolvidos nessa produção. Até porque, neste contexto de
transformações,
O
educacional se coloca, diretamente, como uma questão central no desenvolvimento
das novas interações da comunicação social. A cada invenção tecnológica, a
sociedade atribui aos processos comunicacionais, desenvolvidos em torno da
invenção, uma expectativa educacional (BRAGA; CALAZANS, 2001, p. 11)
Assim, o
discurso pedagógico deve privilegiar os processos de comunicação para
transmitir/trabalhar os conteúdos.
A ação didática
se exerce sempre numa relação de comunicação. Nesta perspectiva, a competência
comunicativa contribui para a formação da consciência crítica, à medida que o
sujeito autônomo desenvolve sua capacidade argumentativa. Por isso, quando o professor estimula de maneira adequada a sua classe, a boa
comunicação é a resposta racional a este estímulo de ensino, que resulta no
aprendizado. Neste sentido, para Libâneo,
O professor não apenas transmite uma informação ou faz perguntas,
mas também ouve os alunos. Deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a
expressar-se, a expor opiniões e dar respostas. O trabalho docente nunca é
unidirecional. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão
reagindo à atuação do professor, às dificuldades que encontram na assimilação
dos conhecimentos. Servem também para diagnosticar as causas que dão origem a
essas dificuldades (1994, p.250).
Deste
modo, ao utilizar falas diretas e indiretas, o docente acaba por assumir seu
papel social na Educação e leva a compreensão das informações. Por meio da
comunicação (diálogos, explicações, debates, etc.), o professor consegue
reduzir as dúvidas e incertezas advindas das questões levantadas pelos alunos.
Nesta, cabe ao professor gerir o processo interpessoal de comunicação com os
alunos, buscando o posicionamento crítico destes. Esta fala do professor tem
como condição de entendimento: clareza, precisão e expressividade (FREIRE,
2006).
Ao abrir-se para
o diálogo, o professor estabelece novas bases para a relação pedagógica em sala
de aula. É a abertura ao outro, em busca de respostas ao problematizar questões
relevantes à formação é que se desenvolve o pensamento e a capacidade de agir.
Assim,
A
dialogicidade é cheia de curiosidade, de inquietação. [...] supõe maturidade,
aventura do espírito, segurança ao perguntar, seriedade na resposta. No clima
da dialogicidade, o sujeito que pergunta sabe a razão por que o faz. Não
pergunta por puro perguntar ou para dar a impressão, a quem ouve, de que está
vivo (FREIRE, 2001, p.80).
As mudanças
sentidas com a introdução de novas tecnologias na prática educativa têm gerado
modificações nas formas de comunicação e linguagem entre professores e alunos.
Esta, segundo Patrícia Corsino*, “[...]
constituída nos diálogos vivos das interações sociais, que inclui
gestos, entoações, afetos e desafetos, ditos e não ditos [...] como sendo o que
permite pensar o mundo, as ações e também a si própria, constituindo a
consciência do sujeito” (FERNANDES, 2006/2012).
O que nos leva
também a um repensar em conceitos
canônicos como sala de aula, relação professor-aluno, transmissão de
conhecimentos, práticas de ensino e o espaço de dialogicidade no/do processo de
ensino e aprendizagem (na aula). De tal
maneira que “A comunicação está ao mesmo tempo ‘dentro’, como parte
constitutiva necessária em qualquer atividade social; e ‘fora’ como espaço
geral de interações sociais, que não depende das especificidades de uma só
área” (BRAGA; CALAZANS, 2001, p. 35).
Metodologias,
recursos didáticos bem como estratégias de ensino utilizadas na educação devem
ser reestruturadas, o que por vezes gera incertezas e fragilidades. Deste modo,
“[...] a adaptação deixa de ser algo passível para tornar-se uma obra de
reconstrução permanente [...]” (DEMO, 2000, p. 52).
INTERAÇÃO
ENTRE OS PARTICIPANTES DA CENA DIDÁTICA
A interação
professor-aluno ultrapassa os limites profissionais, escolares e
universitários, pois é uma relação que envolve sentimentos, deixa marcas para
toda a vida em forma de aprendizado, de conhecimento. Assim
A interação professor-aluno, tanto
individualmente quanto com o grupo, se destaca como fundamental no processo de
aprendizado e se manifesta na atitude de mediação
pedagógica por parte do professor, na atitude de parceria e
co-responsabilidade pelo processo de aprendizagem entre aluno e professor, e na
aceitação de uma relação entre adultos assumida por professor e aluno (MASETTO,
2003, p. 48).
Desta forma, a
relação professor-aluno representa um esforço a mais na busca da praticidade,
afetividade e eficiência no preparo do sujeito social/aluno para a vida, numa
redefinição do processo ensino e aprendizagem. Sendo então a questão
da interação pensada não somente relação entre
professor e aluno, mas também no plano da relação aluno-aluno, numa dimensão
coletiva mesmo.
O que se deve
considerar é que o ato de ensinar e de aprender é uma constante troca, onde se
torna imprescindível que o professor seja, acima de tudo, um educador que
enfrente desafios e possa encarar as dificuldades em sua prática pedagógica com
consciência e auxílio dos próprios alunos. Segundo Cunha (1998, p. 107),
[...]
professores universitários envolvidos com a inovação na universidade têm uma
concepção de conhecimento que envolve flexibilidade e movimento, entendem o
conhecimento como construção, incentivam a dúvida, valorizam o erro e trabalham
com base nele. A provisoriedade, a
multiplicidade e o momento permeiam o cotidiano.
Compreendendo
então, que o conhecimento se processa por meio de valores que embasam e
justificam a aprendizagem. Desse modo, a reflexão sobre a importância e o papel
do professor e do seu relacionamento com os educandos, ultrapassa o cotidiano
de sala de aula. E as constantes mudanças sociais, culturais e tecnológicas, e
o montante de informações a que todos têm acesso hoje trazem expectativas,
receios e preocupações ao professor.
Nesta
perspectiva, para Libâneo afirma que
[...] o ato pedagógico pode ser, então definido
como uma atividade sistemática de interação entre
seres sociais tanto no nível do
intrapessoal como no nível de
influência do meio, interação esta que se configura numa ação exercida sobre os sujeitos ou grupos de sujeitos visando provocar neles
mudanças tão eficazes que os tornem
elementos ativos desta própria
ação exercida. Presume-se aí, a
interligação de três elementos: um agente (alguém, um grupo, etc.), uma mensagem transmitida (conteúdos, métodos, habilidades) e um educando (aluno, grupo de alunos, uma
geração) [...] (1994 , p.56).
A relação entre
o professor e o aluno em sala de aula é uma das prioridades no sistema
educacional. Um bom relacionamento interpessoal entre professores e alunos
requer respeito, afeto, ambiente alegre e capacidade de ouvir e de falar.
Nestes novos tempos, de acordo com Silva (1992), assumindo o compromisso com o
dinamismo de sua prática, cabe ao docente assegurar ao seu aluno o direito de
falar e, incentivando sua participação suscita seu interesse em aprender.
Perceber que o
aluno, como sujeito social, ao deparar-se com conteúdos desconhecidos e com
nível de complexidade elevado, não consegue assimilar conhecimentos, sem uma
articulação com sua realidade de vida, sem a interação com seu mestre.
DAS
HABILIDADES COGNITIVAS
Relacionadas
ao aprender e dominar um conhecimento, as habilidades cognitivas envolvem a
aquisição de um novo conhecimento, do desenvolvimento intelectual e de
atitudes. Inclui reconhecimento de fatos específicos, procedimentos padrões e
conceitos que estimulam o desenvolvimento intelectual constantemente.
Pelas
habilidades cognitivas, os indivíduos se envolvem numa multiplicidade de
saberes na escola/universidade e fora dela. Deste modo, ter uma
habilidade cognitiva latente não significa estar apto a todas as situações a
todo o tempo, depende muito de seu universo cultural. Uma vez que a habilidade
cognitiva mostra que o indivíduo tem facilidade em lidar com um tipo de
informação e para que se transforme em competência será necessário investimento
em experiências de aprendizagem, em conhecimentos pertinentes e motivadores de
seu domínio cognitivo.
Mesmo
assim, é preciso enfatizar que o mercado de trabalho atual tem voltado sua
atenção a indivíduos não apenas com habilidades cognitivas, mas também com
habilidades afetivas. Segundo Piaget (1969, p. 24),
Não é
tanto a aprendizagem cognitiva em si que provoca a formação e intensificação de
interesses e atitudes, mas sim, o como essa aprendizagem ocorre, isto é, o
processo mais do que o produto determinaria os comportamentos afetivos.
Portanto, o tipo de experiência de aprendizagem, mais que o seu conteúdo,
torna-se importante nesse sentido.
Assim,
habilidades cognitivas e habilidades afetivas se desenvolvem paralelamente na
construção do conhecimento.
DAS
HABILIDADES AFETIVAS
Sentimentos
e posturas são relacionados às habilidades afetivas. Estas envolvem categorias
ligadas ao desenvolvimento da área emocional e afetiva, que incluem
comportamento, atitude, responsabilidade, respeito, emoção e expressão de
valores.
Para
desenvolver habilidades afetivas, o docente precisa ter empatia e feeling para sentir sua
classe, pois segundo Demo (2000, p. 37), “A aprendizagem cooperativa, as
habilidades de comunicação e a aprendizagem de como viver em sociedade complexa
com pessoas de necessidades e emoções similares e conflitantes deveriam receber
tanta atenção como o desenvolvimento cognitivo”.
Na e para a
prática docente, é importante compreendermos que as emoções e os sentimentos
que compõem o homem são constituídos de um aspecto fundamental na vida psíquica
do sujeito, visto que emoções e sentimentos estão presentes em todas as
manifestações da vida humana, em suas atitudes, na sensibilidade do ser em
relação aos conhecimentos (receptividade), na valorização destes, em sua
imaginação e criatividade, em seu interesse em fatos e assuntos a ponto de fazer
intervenções, dar respostas aos estímulos. Aprender (e ensinar) somente é
possível com a intervenção do outro, que fala, debate e expressa seu ponto de
vista, sua interpretação.
Por isso, de
acordo com Silva (1992), no processo de ensino e aprendizagem faz-se necessário
encorajar os alunos a demonstrarem todo seu sentimento, emoções e respeito
pelas outras pessoas: solidariedade, amizade, admiração e companheirismo. Uma
vez que pensar e aprender envolve reações de ordem afetiva e de empatia
(Classificação de Bloom).
CONCLUSÃO
Busca-se,
portanto, uma competência pedagógica, surgida a partir da reflexão sobre as
dificuldades encontradas pelo professor em sua prática, variantes que influem
no processo de ensino e aprendizagem. Uma reflexão que toma como cena a prática
docente mesmo, que em um movimento de ação, análise e reflexão, propõe-se a
tratar da dicotomia teoria e prática. Estas juntas ganham novos significados,
novas dimensões, em que o conhecimento se faz em uma relação de interação,
comunicação e afetividade. Nesta, as metodologias são mais dinâmicas, mutáveis
e articuladas às necessidades sociais. Por isso, “Há necessidade de a
universidade sair de si mesma, arejar-se com o ar da sociedade em mudança e das
necessidades da sociedade, e então voltar para discutir com seus especialistas
as mudanças curriculares exigidas e compatíveis com seus princípios
educacionais” (MASETTO, 2003, p. 15).
Nesta
cena, os
sistemas educacionais no mundo atual têm como meta principal contribuir para
que os estudantes possam ser cidadãos ativos, solidários, críticos e
democratas. Desta forma, reestrutura-se a interação entre professor e alunos,
deslocando o centro do processo do docente para o discente. Ao primeiro cabe o
papel de facilitar e criar desafios para estimular os alunos a investigar,
discernir, interpretar e responder. Instâncias operacionais que possibilitam
viabilizar o aprender a fazer
(proposta de Bloom). Neste sentido, o ensino e a aprendizagem que ocorrem nas
salas de aula representam uma das maneiras de construir significados, reforçar
e formar interesses sociais, formas de poder, de experiência, sempre com um
significado cultural e político.
Por
fim, transpondo suas dificuldades na prática, o professor deve dar suporte ao
aluno, com o intuito de levá-lo a superar os desafios e obstáculos, descobrindo
e potencializando suas habilidades, desenvolvendo novas e possibilitando a
reflexão crítica. Por isso, utilizando-se de mecanismo de comunicação
adequados, desenvolvendo habilidades afetivas e cognitivas, técnicas e
políticas para que com isso leve o aluno a atender as expectativas de
aprendizado e conquistar a autonomia para pensar e criar.
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NOTA
* Patrícia Corsino, Doutora em Educação pela PUC-Rio, professora da UFRJ e colaboradora do
Curso de Especialização em Educação Infantil da PUC-Rio.